O filme ‘A Odisseia’, nova superprodução do cineasta Christopher Nolan, estreia nesta quinta-feira, 16, nos cinemas brasileiros e já divide a opinião da crítica especializada. A obra, que adapta o poema épico grego de Homero, tem gerado reações contraditórias entre os principais veículos internacionais.
A crítica Stephanie Zacharek, da revista americana Time, foi dura ao avaliar o longa. “Em vez de ser uma resposta para nossas preces, ‘A Odisseia’ é só mais uma razão para o desespero”, escreveu. Já Manohla Dargis, do jornal The New York Times, classificou a obra de três horas como “monumental” e uma carta de amor ao cinema. Richard Brody, da revista The New Yorker, disse que Nolan é “anacrônico e desesperado para agradar a plateia”, mas faz isso com “confiança vigorosa”.
O filme é estrelado por Matt Damon como o herói Odisseu, Anne Hathaway como a esposa Penélope e Tom Holland como o filho do casal. As cenas foram todas rodadas com câmera IMAX, uma novidade na indústria. O elenco inclui ainda a atriz negra Lupita Nyong’o como Helena e o ator trans Eliott Page como um soldado da tropa de Odisseu.
A escalação do elenco gerou polêmica antes mesmo da estreia. O magnata Elon Musk criticou a escolha de atores diversos. Conservadores também se irritaram com a presença de Page. Do outro lado do espectro político, Nolan é apontado como representante de uma masculinidade idealizada e ultrapassada.
Apesar das controvérsias, o filme tem atraído grande público. Os ingressos para as salas IMAX estão esgotados. A produção, no entanto, não é isenta de falhas. O excesso de astros hollywoodianos é apontado como uma distração. A duração poderia ser reduzida em cerca de 20 minutos. As salas IMAX não são acessíveis para a maior parte do público.
Expectativa e repercussão
Desde seu anúncio, ‘A Odisseia’ criou uma expectativa altíssima no público. A cada notícia sobre escalação de elenco ou inovações de bastidores, surgiam discussões que cruzavam a fronteira entre cinema e visão política. O lado positivo de tanta controvérsia é que o filme está na boca do povo.
O enorme épico de Homero e seu herói Odisseu sobrevive em tempos de vídeos curtos de 30 segundos. Quem conhece profundamente a obra original tende a torcer o nariz para a adaptação. No entanto, o texto clássico se torna acessível e reconhecível para o público atual com esta superprodução.
