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Vida Saudável

Qual o nome da pessoa viciada em remédio? O termo certo

Existe um termo técnico para isso, e ele muda a conversa em família de acusação para diagnóstico.

Por Neide Marcondes · · 6 min de leitura
Cartelas de comprimidos brancos espalhadas sobre mesa de madeira

Cartelas de comprimidos brancos espalhadas sobre mesa de madeira

A conversa em família costuma travar na palavra. Chamar de viciado soa agressivo, chamar de doente parece exagero, e no fim ninguém nomeia o que está acontecendo.

Quem procura saber qual o nome da pessoa viciada em remédio encontra um termo específico: farmacodependente. A condição se chama farmacodependência, e ela tem classificação própria nos manuais de diagnóstico, do mesmo jeito que a dependência de álcool ou de cocaína.

O termo técnico e os sinônimos aceitos

Farmacodependência é reconhecida como sinônimo de dependência de substâncias psicoativas e de transtorno por uso de substâncias. Nos três casos se descreve a mesma coisa: perda de controle sobre o consumo, mesmo com prejuízo visível.

Na Classificação Internacional de Doenças, esses quadros ficam no bloco que vai de F10 a F19, separados por tipo de substância. Sedativos e hipnóticos, o grupo dos benzodiazepínicos, ocupam a faixa F13.

A versão mais recente da classificação reorganizou o tema em um capítulo próprio de transtornos por uso de substâncias e comportamentos aditivos, o que reforça o entendimento de doença e não de desvio de caráter.

Qual o nome da pessoa viciada em remédio no dia a dia

Fora do consultório, o termo que circula é dependente químico de medicamentos, e ele não está errado. Medicamento psicotrópico é substância química, e a dependência que ele causa segue o mesmo mecanismo das drogas ilícitas.

Essa proximidade fica evidente nos estimulantes de tarja preta, cuja estrutura e cujo efeito no cérebro se aproximam bastante de substâncias que ninguém hesitaria em chamar de droga. É o caso da comparação entre Venvanse e cocaína, que confunde muita gente justamente porque as duas agem sobre o mesmo circuito.

A diferença central está no controle: dose definida, prescrição e acompanhamento de um lado, ausência de tudo isso do outro.

Quais remédios causam dependência

Nem todo medicamento vicia, e nem todo medicamento que vicia tem o mesmo grau de risco. A tabela separa os grupos mais envolvidos.

Grupos de medicamentos que causam dependência e o controle que a lei exige
GrupoExemplos de usoControle na farmácia
BenzodiazepínicosAnsiedade e insôniaReceituário azul, lista B1
Estimulantes anfetamínicosDéficit de atençãoReceituário amarelo, lista A3
OpioidesDor moderada a intensaReceituário amarelo, listas A1 e A2
Antitussígenos com codeínaTosse persistenteReceita retida
Descongestionantes nasaisNariz entupidoVenda livre, com dependência de rebote

O regime de controle vem da Portaria 344, de 12 de maio de 1998. Ela organiza as substâncias em listas e define qual receituário cada uma exige, com a Notificação de Receita A, o papel amarelo, valendo por 30 dias.

O último grupo da tabela surpreende quem acha que dependência só existe em tarja preta. O descongestionante de venda livre produz um ciclo próprio, no qual o nariz entope mais a cada tentativa de parar.

Como a dependência de remédio começa

Quase nunca começa por vontade de se drogar. Começa por um problema real que o medicamento resolveu bem.

  1. O sintoma aparece e a prescrição funciona, com alívio rápido e convincente.
  2. O uso passa do prazo combinado, geralmente sem retorno ao médico.
  3. O efeito diminui, e a dose sobe por conta própria para recuperar o resultado inicial.
  4. Tentar parar devolve o sintoma original amplificado, o que parece prova de que o remédio é necessário.
  5. A vida passa a girar em torno de garantir a próxima receita.

O quarto passo é onde quase todo mundo se perde, porque o retorno do sintoma é efeito da retirada e não da doença original voltando.

Os sinais que a família percebe primeiro

Antes de qualquer discussão sobre nome, os sinais aparecem na rotina. Consulta em mais de um médico para conseguir a mesma prescrição é o mais clássico deles.

Somam-se a isso a perda repetida da receita, a compra em farmácias diferentes, a irritação quando alguém questiona o uso e a caixa escondida.

Sonolência fora de hora, lentidão de raciocínio e quedas em pessoas idosas completam o quadro no caso dos sedativos.

Em pessoa idosa o sinal costuma ser confundido com envelhecimento normal. Esquecimento, andar inseguro e sonolência à tarde entram na conta da idade, quando muitas vezes são efeito de um sedativo que ninguém revisou há anos. Vale conferir a lista de medicamentos em uso antes de atribuir tudo ao tempo.

Por que esse tipo de dependência demora a ser reconhecido

Existe uma legitimidade embutida na caixa do medicamento. Ele veio de um médico, tem bula e nome comercial, e isso desarma a desconfiança que uma substância ilícita provocaria de imediato.

A pessoa também não se reconhece no rótulo de dependente, porque não comprou nada na rua e não descumpriu nenhuma lei.

O resultado é um diagnóstico que costuma chegar tarde, muitas vezes só depois de uma queda, um acidente de carro ou uma internação por outro motivo.

O perigo de parar sozinho

Com benzodiazepínicos, a interrupção brusca pode provocar insônia grave, ansiedade intensa, tremor e, em casos mais sérios, convulsão. A retirada precisa ser gradual e orientada.

Com opioides, o quadro de abstinência raramente ameaça a vida, mas é intenso o bastante para levar de volta ao uso sem acompanhamento.

Com estimulantes, o que aparece é uma queda de humor profunda nos primeiros dias, que responde bem quando há suporte adequado.

Em todos os casos a retirada tem um roteiro definido pela substância e pelo tempo de uso, e não pela força de vontade de quem decide parar. Tentar por conta própria é o que faz a maioria das pessoas concluir, erradamente, que não consegue viver sem o medicamento.

Perguntas frequentes sobre dependência de medicamentos

Afinal, como se chama quem depende de remédio?

Farmacodependente. A condição é a farmacodependência, também descrita como dependência de substâncias psicoativas ou transtorno por uso de substâncias.

Tomar remédio controlado todo dia significa dependência?

Não necessariamente. Uso prolongado com prescrição, dose estável e acompanhamento é tratamento. Dependência envolve perda de controle, aumento por conta própria e prejuízo funcional.

Remédio de farmácia vicia menos que droga ilícita?

O risco varia por substância, não por ser legal. Alguns medicamentos controlados produzem dependência tão consistente quanto substâncias ilícitas.

Dá para pedir internação para dependência de remédio?

Sim, e ela segue as mesmas regras de qualquer internação psiquiátrica, com laudo médico que justifique a medida e as modalidades previstas em lei.

Por que o receituário tem cores diferentes?

Porque a Portaria 344 de 1998 separa as substâncias em listas. O papel azul cobre a lista B1, dos benzodiazepínicos, e o amarelo cobre as listas A1, A2 e A3, mais restritivas.

É possível voltar a usar o medicamento depois do tratamento?

Em alguns casos sim, com prescrição, dose controlada e monitoramento. Em outros, o médico opta por uma classe diferente para evitar a recaída.

Resumo

Qual o nome da pessoa viciada em remédio tem resposta objetiva: farmacodependente. O termo não é ofensa, é diagnóstico, e vem acompanhado de classificação própria nos manuais internacionais. Os grupos mais envolvidos são benzodiazepínicos, estimulantes anfetamínicos e opioides, todos sob controle da Portaria 344 de 1998 e seus receituários azul e amarelo. O caminho até a dependência costuma começar numa prescrição legítima que passou do prazo, e a retirada, principalmente dos sedativos, exige acompanhamento médico para não terminar em convulsão.

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