O empresário Marino Colpo, fundador da Boa Safra, classificou o desempenho da empresa no ano passado como decepcionante. A sementeira enfrentou problemas com excesso de estoques de sementes, o que resultou em um resultado considerado fraco, mesmo com o crescimento das vendas.
O balanço divulgado pela companhia mostra uma forte compressão das margens. No quarto trimestre de 2025, período que concentra mais de 45% da receita, a margem Ebitda ajustada ficou em apenas 5%. No mesmo período do ano anterior, esse indicador havia sido de 14%.
O fraco resultado no final do ano impactou o desempenho anual. Em 2025, o Ebitda ajustado da Boa Safra recuou 16%, ficando em R$ 154 milhões. A margem Ebitda ajustada para o ano caiu de 10% para 6%.
Os estoques elevados de soja prejudicaram a comercialização. Historicamente, a Boa Safra vende cerca de 80% de sua capacidade de beneficiamento na forma de sementes. Na última safra, esse percentual ficou em 76%, com a parte restante sendo vendida como grão, o que pressionou as margens de lucro.
Em entrevista, Marino Colpo admitiu que o resultado ficou abaixo das expectativas da própria empresa e do mercado. Anteriormente, analistas chegaram a projetar uma receita de R$ 3 bilhões para a sementeira, mas essas previsões foram revisadas para baixo nos últimos meses.
Bancos como BTG Pactual e Itaú BBA retiraram a recomendação de compra para as ações da empresa. Na segunda-feira, o Bradesco BBI também seguiu o movimento, retirando sua indicação positiva.
Em relatório, o analista Henrique Brustolin, do Bradesco BBI, afirmou que a Boa Safra deixou de ser vista como um negócio de crescimento. O banco destacou uma mudança no perfil da companhia, que se tornou um empreendimento mais intensivo em capital.
Apesar de ser considerada asset light por não possuir ativos como terras, a Boa Safra depende da oferta de crédito para financiar seus clientes. Inicialmente, a capacidade de conceder prazos era vista como uma vantagem para conseguir margens melhores. No entanto, essa prática se transformou em uma forma de assegurar o volume de vendas.
O cenário de estoques altos e a consequente venda de parte da produção como grão, produto com menor valor agregado, foram os principais fatores que levaram ao ano decepcionante. A empresa agora busca se recuperar no próximo balanço, mas o mercado demonstra cautela com a mudança na dinâmica de seus negócios e a dependência do crédito como ferramenta comercial.
