O lutador australiano Jake Matthews falou sobre a polêmica em sua última luta, contra Neil Magny, e como sua fé o ajudou a superar o ocorrido. Aos 32 anos, o veterano dos meio-médios retorna ao octógono neste fim de semana contra Carlston Harris, em Macau.
No final do primeiro round da luta contra Magny, Matthews acreditava ter finalizado o adversário com um mata-leão montado. O árbitro chegou a intervir, e o australiano começou a comemorar. No entanto, o árbitro declarou que o round havia terminado e a luta continuaria. Matthews acabou perdendo por finalização no terceiro round.
“Assim que a luta terminou, olhando para trás, não foi a melhor situação, mas não há como voltar e mudar as coisas”, disse Matthews. “Não temos uma máquina do tempo, então não fico remoendo isso. Não deixo que se torne um problema para o que estamos fazendo no futuro. Deixo isso de lado.”
O lutador explicou que a sensação de alívio ao pensar que tinha vencido foi intensa. “Você está certo: o alívio que vem quando você pensa que venceu uma luta… Para mim, ter me recuperado no segundo round e dominado daquela forma me deixa orgulhoso. Pressionei muito no segundo round para buscar a finalização porque sabia que era tudo o que eu tinha. Assim que o round terminou, soube que estava em apuros.”
Matthews reconheceu que, em retrospecto, gostaria de ter agido de forma diferente. “Em retrospecto, eu provavelmente deveria ter protestado e dito ‘Não!'”, afirmou. “Nós treinamos e, quando nos mandam lutar, lutamos. Você não pensa direito. Eu deveria ter ficado no chão e dito ‘Não. Você pode me desqualificar se quiser, mas vou protestar e tomar uma posição’.”
O atleta destacou que a situação deveria ter seguido as regras, com a luta sendo encerrada e cabendo a Neil Magny recorrer. “Mas somos lutadores. Você manda a gente continuar lutando e a gente automaticamente continua.”
A fé como alicerce
Matthews, que se converteu ao Islã em 2023, disse que sua fé o ajudou a aceitar o ocorrido e seguir em frente. “Acredito que tudo acontece por uma razão”, explicou. “Fiz tudo o que pude naquela luta, e aconteceu do jeito que aconteceu. Contanto que você faça tudo o que pode, a maneira como sua vida se desenrola, acredito que seja a maneira como deveria ser. Tenho fé nisso, então confio no processo, confio na jornada, e é isso que me ajuda a seguir em frente.”
Essa filosofia se aplica a todos os aspectos de sua vida, tanto pessoal quanto profissional. Após pedir para lutar neste card, Matthews foi inicialmente escalado para enfrentar Muslim Salikhov, que teve que se retirar. Por um breve período, o australiano ficou sem adversário, até que Harris foi chamado para substituí-lo.
“Novamente, se eu estava destinado a lutar neste card, eu ia conseguir um oponente”, disse Matthews. “Se eu não estava destinado a lutar neste card, então não haveria oponente. É assim que eu vejo, e isso me dá muito menos estresse na vida. Confiar nesse processo. Continuamos treinando como se tivéssemos uma luta, e uma semana ou mais depois, tínhamos um oponente.”
O lutador afirmou que sua fé trouxe mais paz e calma durante as semanas de luta. “Muitos lutadores falam sobre noites sem dormir, estressados com o resultado. Eu sei que vou dar cem por cento durante a luta, fazer o que posso, e honestamente acredito que o resto está nas mãos de Deus. Até uma derrota pode levar a coisas boas no futuro. Se está destinado a ser, está destinado a ser. Muito estresse foi aliviado agora. Durmo muito bem, não tenho aquela energia nervosa do ‘E se?'”, concluiu.
