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PF aponta ligações entre senador e ministro do STJ

PF aponta ligações entre senador e ministro do STJ

A Polícia Federal informou que o senador Weverton Rocha (PDT-MA) manteve contatos repetidos com o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), enquanto o magistrado era relator de uma investigação sobre um homicídio em São Luís. A suspeita é de que o senador tentou interferir no andamento do inquérito.

O caso apura se o crime está ligado a uma possível cobrança de propina feita por Daniel Brandão, presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Maranhão e sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB). Por causa das suspeitas sobre Weverton, o processo foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e está com o ministro Flávio Dino. A informação sobre os contatos está em uma decisão de Dino divulgada nesta sexta-feira (14).

O senador não respondeu aos pedidos de comentário. O ministro Humberto Martins, que não é investigado formalmente, também não se manifestou.

As conversas foram encontradas pela PF no celular de Weverton, apreendido no ano passado durante uma operação sobre desvios no INSS. Dino pediu que o ministro André Mendonça, relator desse caso, compartilhasse os dados com a investigação do Maranhão.

Segundo a PF, os registros mostram conversas diretas com Humberto Martins entre 25 de janeiro de 2023 e 4 de outubro de 2025. Os contatos incluíam mensagens de texto, áudios, ligações e envio de mídias. A polícia afirma que os diálogos tratavam de encontros pessoais e de processos que estavam sob a relatoria do ministro.

“Inicialmente, evidenciou-se a existência de uma relação de proximidade pessoal entre os interlocutores, que ultrapassa os limites de uma interação meramente formal ou institucional”, diz o órgão. A PF afirma ainda que Weverton fazia pedidos ao ministro sobre ações que tramitavam no STJ e que houve um encontro no gabinete de Martins em agosto do ano passado.

A investigação destaca um episódio de 2 de junho do ano passado. Nesse dia, houve troca de mensagens e uma ligação de cerca de cinco minutos, seguida de um áudio em que o senador reclama da internet no Maranhão. Na mesma data, Martins determinou a transferência de Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior, condenado como executor do assassinato, do presídio de Pedrinhas para Brasília.

O empresário João Bosco Sobrinho foi morto em 2022. A Justiça do Maranhão considerou Gilbson Cutrim o executor do crime e o condenou a 13 anos de prisão. O STJ apurava se o homicídio tinha relação com uma suposta cobrança de propina feita por Daniel Brandão.

O caso ganhou destaque na disputa pré-eleitoral pelo governo do Maranhão, com trocas de acusações entre grupos políticos ligados a Flávio Dino, dissidentes e opositores. A PF também investiga se o assassinato está ligado a suspeitas de desvios de emendas parlamentares em contratos no estado.

Carlos e Daniel Brandão foram procurados, mas não se manifestaram. Os dois negam irregularidades. Em nota anterior, Carlos Brandão disse que os processos que enfrenta desde 2024 surgiram de “narrativas manipuladas” após seu distanciamento político de um grupo que queria permanecer no poder.

Daniel Brandão afirmou que repudia as tentativas de associar seu nome a fatos criminosos sem provas e que o condenado já declarou, em vídeos sobre o crime, que ele não tem relação com o caso. O presidente do TCE-MA disse ainda que as alegações são “narrativas” que tentam ligá-lo ao episódio em períodos de disputa eleitoral.

Sobre o autor: César Walsh

Economista e financeiro formado pela USP, César Walsh trilhou uma carreira global, escalando o mundo dos bancos e mergulhando nas finanças internacionais na Alemanha. Atualmente, usa sua expertise para revitalizar empresas em crise no Brasil e compartilha insights no (nome do site). Constantemente aprimorando-se através da escrita.

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