07/03/2026
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F1 e Apple Apostam Alto

A nova temporada da Fórmula 1 começa neste fim de semana na Austrália, marcada por mudanças importantes. A série, conhecida por corridas de alta velocidade e tecnologia de ponta, terá novos regulamentos para carros e motores em 2026, além da entrada das equipes da Audi e da Cadillac.

Uma grande mudança acontece no mercado dos Estados Unidos. A transmissão sai da ESPN e passa a ser exclusiva da Apple em seu serviço de streaming, Apple TV. A partir deste fim de semana, para assistir às corridas ao vivo nos EUA, é necessário assinar o serviço por US$ 12,99 por mês.

Para a Apple, o acordo parece uma jogada natural, mas para a F1, que ainda cresce nos EUA, a decisão envolve mais riscos. A parceria oferece a chance de alcançar fãs em múltiplas plataformas, mas também representa o afastamento da televisão tradicional, que tem um público maior e mais diversificado.

Pouco antes do início da temporada, a Apple e a Netflix anunciaram um acordo inédito. A nova temporada da série documental “Drive to Survive”, da Netflix, que popularizou a F1 nos EUA, será transmitida simultaneamente nas duas plataformas no mercado americano. Especialistas apontam que é a primeira vez que um conteúdo original da Netflix vai para uma plataforma concorrente.

A imersão da Apple no esporte começou com o filme “F1: The Movie”, lançado no verão passado, que foi um grande sucesso. No outono, a empresa fechou os direitos exclusivos para a transmissão ao vivo da F1 nos EUA. Relatórios indicam que a Apple pagou cerca de US$ 150 milhões por ano pelos direitos, que antes eram da ESPN.

A audiência da F1 na ESPN cresceu de uma média de 554 mil espectadores por corrida em 2018 para 1,3 milhão em 2025, um aumento de 135%. Embora esse número seja metade da média da NASCAR, o público da F1 é considerado mais afortunado e diverso, com mais mulheres e minorias, o que atrai anunciantes.

Na nova plataforma, os espectadores poderão usar uma função de Multiview para assistir até quatro feeds ao vivo simultaneamente. A Apple também anunciou que a Tubi transmitirá transmissões alternativas para várias corridas, e o Yahoo Sports transmitirá sessões de treinos e classificações a partir do Grande Prêmio de Miami.

Líderes da F1 demonstraram otimismo com a parceria. Eles destacam que o alcance da Apple vai além da TV, abrangendo Apple Music, Apple News e lojas físicas, oferecendo mais pontos de contato com os fãs.

No entanto, alguns investidores da F1 veem o negócio com a Apple de forma negativa, com receio de que a distribuição mais restrita possa prejudicar o crescimento do esporte nos EUA. A Apple não divulga números exatos de assinantes, mas estimativas apontam cerca de 45 milhões no final de 2025. A ESPN tem aproximadamente 60 milhões de assinantes de TV paga e mais 25 milhões somente digitais.

Uma análise da Wolfe Research discorda dessa visão pessimista. O analista Peter Supino argumentou que grande parte do alcance da ESPN vem da TV linear, que não é a plataforma ideal para corridas que muitas vezes acontecem de madrugada no fuso horário americano. Ele também considerou positiva a parceria inovadora entre Apple e Netflix.

Para a Apple, o investimento na F1 é relativamente baixo, comparado ao lucro anual de US$ 112 bilhões da empresa. A associação com a principal categoria do automobilismo fortalece sua oferta de conteúdo e sua marca.

A mudança, porém, significa o fim da era em que os fãs podiam simplesmente ligar a TV e encontrar uma corrida ao vivo. A questão agora é se a perda do telespectador casual será significativa ou se a integração com o ecossistema da Apple, incluindo iPhone, Apple Music e Apple Maps, criará novas formas de engajamento para os fãs acessarem conteúdo onde e quando quiserem.

Sobre o autor: César Walsh

Economista e financeiro formado pela USP, César Walsh trilhou uma carreira global, escalando o mundo dos bancos e mergulhando nas finanças internacionais na Alemanha. Atualmente, usa sua expertise para revitalizar empresas em crise no Brasil e compartilha insights no (nome do site). Constantemente aprimorando-se através da escrita.

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