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Caso Epstein: queda do braço direito do PM britânico

O governo do Reino Unido, liderado pelo primeiro-ministro Keir Starmer, enfrenta uma crise significativa após a renúncia de Morgan McSweeney, chefe de gabinete do premiê. A saída de McSweeney, que ocorreu em 8 de fevereiro de 2026, está diretamente ligada ao polêmico caso do bilionário americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e encontrado morto na prisão em 2019.

McSweeney assumiu “total responsabilidade” por aconselhar Starmer a nomear Peter Mandelson, uma figura controversa devido a sua proximidade com Epstein, como embaixador britânico nos Estados Unidos no ano anterior. Em sua carta de demissão, ele reconheceu que a decisão “foi errada” e que prejudicou não apenas o partido, mas também a confiança pública na política.

A renúncia de McSweeney ocorre em um contexto de crescente pressão política, especialmente com as investigações criminal sobre Mandelson. Documentos revelados nos Estados Unidos indicam que Mandelson pode ter repassado informações sensíveis a Epstein em 2009, além de ter enviado mensagens de apoio ao bilionário enquanto este enfrentava acusações graves em 2008.

Além disso, a relação financeira entre Mandelson e Epstein foi destacada quando se tornou público que o marido brasileiro de Mandelson, Reinaldo Avila da Silva, recebeu pagamentos de US$ 75 mil do bilionário. Após essa revelação, Mandelson optou por deixar o Partido Trabalhista, alegando que não queria causar mais constrangimento ao governo de Starmer.

Em setembro do ano anterior, Starmer já havia demitido Mandelson do cargo de embaixador, citando novas informações sobre a profundidade da relação entre ele e Epstein. Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a extensão do relacionamento de Mandelson com Epstein era “substancialmente diferente” do que se sabia no momento da nomeação.

As tensões aumentaram quando Starmer acusou Mandelson de mentir durante o processo de verificação de segurança para o cargo de embaixador. Por sua vez, Mandelson defendeu-se, afirmando que respondeu corretamente às perguntas sobre sua relação com Epstein e negando qualquer comportamento criminoso ou motivação financeira.

A saída de McSweeney, que era visto como o “gênio” por trás da reestruturação do Partido Trabalhista, levanta questões sobre o futuro político de Starmer. McSweeney tinha se tornado um “para-raios” da pressão política, e sua renúncia pode alterar o foco das críticas, direcionando-as para o próprio primeiro-ministro.

Embora a nomeação de Mandelson tenha sido inicialmente vista como uma escolha estratégica, especialmente com a necessidade de habilidade diplomática em Washington após o retorno de Donald Trump ao poder, as revelações recentes mudaram drasticamente a percepção sobre essa decisão. O governo de Starmer, apesar de sua ampla maioria em eleições anteriores, agora enfrenta um cenário tumultuado que muitas vezes é associado a crises de liderança no final de mandatos.

À medida que a situação se desenrola, resta saber se a saída de McSweeney trará alívio à crise política ou se, em vez disso, aumentará a pressão sobre Starmer, que deve agora enfrentar as consequências de uma decisão que se revelou desastrosa.

Sobre o autor: César Walsh

Economista e financeiro formado pela USP, César Walsh trilhou uma carreira global, escalando o mundo dos bancos e mergulhando nas finanças internacionais na Alemanha. Atualmente, usa sua expertise para revitalizar empresas em crise no Brasil e compartilha insights no (nome do site). Constantemente aprimorando-se através da escrita.

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